
Chuvas em momentos decisivos das lavouras melhoraram as perspectivas para a oferta mundial de trigo e reduziram parte dos temores de escassez. A avaliação é de Drew Lerner, em análise publicada pela World Grain nesta terça-feira (27).
No Brasil, porém, o excesso de umidade no fim do ciclo deve reduzir a qualidade do trigo. A Argentina aparece com expectativa de bons rendimentos, contribuindo para um cenário mais favorável à produção sul-americana.
Na Austrália, chuvas bem distribuídas favoreceram desde a implantação até o enchimento dos grãos. A safra deve ficar abaixo da anterior, sobretudo pela redução da área em Queensland e no norte de Nova Gales do Sul, mas superar as expectativas iniciais. No Canadá, a melhora das condições climáticas no verão também levou os rendimentos acima do que se temia.
Na Europa Ocidental, tempestades no fim de outubro podem favorecer o estabelecimento das lavouras de inverno de 2026/27 antes da dormência. Chuvas na Ucrânia e em parte dos Bálcãs também ampliaram o potencial produtivo para 2027. China, Índia e Estados Unidos registraram melhora na umidade para a implantação dos cultivos.
Os riscos, entretanto, permanecem. O sul da Rússia continua com seca mais persistente, enquanto calor e falta de chuva podem prejudicar as fases reprodutiva e de enchimento dos grãos na Índia. Na África do Sul, condições melhores convivem com redução da área plantada no oeste.
O quadro descrito por Lerner indica menor aperto potencial na oferta do que se projetava meses atrás, embora a melhora das perspectivas ainda dependa da evolução do clima e da confirmação dos resultados nas lavouras.

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