O atacante Richarlison ironizou a ida de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos após a derrota nas Eleições. “Então não tem ninguém na ilha?”, escreveu o jogador, que disputa posse de uma casa na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), com o advogado Willer Tomaz.
Companheiro de Richarlison na seleção na Copa do Mundo de 2022, Neymar respondeu nos comentários da publicação, que tem montagens feitas por inteligência artificial mostrando o jogador na ilha.
“Próxima vez lê o contrato, seu moleque”, escreveu o atacante do Santos, que apoiou o senador do PL na campanha à Presidência.
Entenda o caso
Richarlison diz que quer reaver o dinheiro investido na compra de uma casa na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O jogador afirma ter gasto cerca de R$ 10 milhões com o imóvel e diz que só vai se pronunciar publicamente quando tiver o dinheiro ‘na mão’.
O nome de Flávio aparece porque o jogador relata que o senador manifestou interesse no imóvel após a compra. Richarlison diz que não quis vender, e que Flávio chegou a publicar em seu Instagram um vídeo feito por drone mostrando a casa e uma cachoeira ao lado do imóvel.
Em mensagens exibidas pelo jogador, Richarlison cobrou Flávio e citou o clima eleitoral. “Ano de eleição e a galera vai aproveitar. Só quero meu dinheiro de volta. Vcs [vocês] se viram”, escreveu ele ao senador.

Flávio respondeu dizendo que advogados analisaram o processo e apontaram um acordo envolvendo a empresa Sport 70 e o ex-empresário Renato Velasco. “Os advogados consultaram o processo e viram que foi feito um acordo com a sua empresa Sport 70, com Renato Velasco assinando”, disse Flávio ao enviar imagens do contrato ao jogador.
O senador pediu que Richarlison divulgasse uma nota afirmando que ele não tem relação com o caso. “Estão usando o assunto contra mim, que não tenho nada a ver com isso” e “Gostaria de te pedir que soltasse uma nota dizendo que eu não tenho nada a ver com o assunto”, escreveu Flávio.
Por que a disputa virou caso político
O conflito ganhou dimensão eleitoral depois que Richarlison disse que o ex-empresário atribuiu a Flávio a posse do imóvel. “Foi ele mesmo que disse que você pegou a ilha lá”, escreveu o jogador; Flávio respondeu: “Craque, mentira pura!”.
Em 29 de julho, a empresa de Willer Tomaz entrou com uma ação para impedir que Richarlison divulgue conteúdos com a versão dele. Em 13 de agosto, a Justiça negou a adoção imediata de medidas e afirmou que o pedido “aproxima-se perigosamente da restrição prévia à manifestação do pensamento”.
Como é a briga pela casa na ilha

A disputa envolve o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo de Flávio, e a compra e venda do imóvel por diferentes empresas. Em 25 de abril de 2022, a WT Administração de Bens e Imóveis, de Tomaz, firmou contrato de compra e venda da casa com a empresa M Locadora, de Santos.
Após a transação, a viúva de um dos sócios registrou boletim de ocorrência por estelionato e relatou suspeitas de fraude. Ela afirmou que a casa já tinha sido vendida havia 20 anos e disse que houve assinaturas feitas sem leitura do conteúdo e possível falsificação em atos de cartório.
O valor pago pela WT pelo imóvel foi de R$ 600 mil, abaixo do valor avaliado pela prefeitura de Angra dos Reis. A avaliação citada é de R$ 2,6 milhões, e Tomaz disse ter gasto outros R$ 3 milhões para quitar impostos e dívidas do imóvel.
O acordo citado por Flávio teria sido firmado entre uma empresa de Tomaz e Renato Velasco, ex-empresário de Richarlison. No fim de 2025, uma empresa de Richarlison e Velasco renunciou à ação que movia para questionar a posse do imóvel.
Richarlison disse ao UOL que não deu aval para a realização desse acordo. Tomaz, por sua vez, afirmou em nota que “Richarlison nunca foi parte em processo algum relativo à ilha” e que a empresa ligada ao jogador e a Velasco perdeu em todas as instâncias, inclusive no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
* Com informações de reportagens publicadas em 19/10/2026, 23/10/2026 e 23/10/2026.

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