Trump diz que não vai se envolver após Flávio se autodeclarar presidente

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje que não irá comentar carta em que o senador Flávio Bolsonaro se autodeclara presidente eleito do Brasil.

O que ele disse

Trump afirmou que não vai se envolver em situação de Flávio nos EUA. Questionado sobre o conteúdo da carta em que o senador se declara presidente, o americano evitou comentar o documento e afirmou que Flávio recebeu autorização para entrar no país. Trump também voltou a classificar a eleição brasileira como “muito estranha”, sem apresentar provas de fraude. (Assista ao vídeo abaixo)

Flávio Bolsonaro se declarou o legítimo presidente do Brasil. Você concorda? Repórter, ao questionar o presidente Trump

Eu não vou comentar sobre isso. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país, então vamos ver — mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha… Achei que eles foram tratados de forma muito injusta e, como vocês sabem, não tomei partido na eleição; mas, quando vejo algo que é inapropriado, eu comento a respeito. Donald Trump, presidente do Estados Unidos

Flávio divulgou carta em que se declara ‘verdadeiro presidente eleito’ após derrota para Lula. Em uma segunda versão do documento, o senador trocou a expressão por “líder do Brasil”. No exterior, ele agradeceu aos presidentes Donald Trump e Javier Milei e afirmou que organizará a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que foi eleito para um quarto mandato no último domingo (25).

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão. Flávio Bolsonaro, em carta aberta à Nação

Fuga de Flávio contou com ajuda de Milei e Trump

Flávio cruzou fronteira com a Argentina antes de seguir aos EUA. O senador passou pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50 de ontem, no horário de Brasília. Em seguida, embarcou em um jatinho que fez escala no Equador antes de chegar à Flórida, em uma operação que contou com apoio dos governos argentino e americano.

O governo de Donald Trump concedeu vistos a Flávio Bolsonaro e a familiares dele. O senador recebeu registro de entrada que consta como data de chegada sendo outubro de 2026 e data de permanência até outubro de 2027, segundo informou o jornal Folha de S.Paulo.

Aliados foram pegos de surpresa com a fuga. O coordenador de campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), declarou, no começo da noite de ontem, que não sabia que o candidato derrotado iria para os Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro afirmou que vai liderar oposição a Lula do exterior. Na carta, o senador disse que pretende apresentar uma estratégia para mobilizar adversários do governo e tentar impedir o que chamou de consolidação de um regime ditatorial no Brasil. (Leia as duas versões da carta, na íntegra, abaixo)

Político disse que deixou o país para exercer liderança. Flávio negou ter fugido do Brasil e alegou que, no exterior, poderá se manifestar sem as restrições que atribui ao Judiciário brasileiro.

Disputa presidencial foi acirrada

Flávio terminou o primeiro turno na liderança. O senador recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT). No segundo turno, porém, o petista reverteu o resultado e foi reeleito presidente do Brasil.

Candidato ampliou apoio para além da base bolsonarista. Pesquisas do início do segundo turno indicaram que Flávio também atraiu eleitores de candidatos derrotados na primeira etapa da eleição.

Economia e segurança dominaram discurso eleitoral. Flávio criticou o endividamento das famílias, o custo de vida e a violência, além de defender cortes de gastos e impostos.

Campanha apostou em votos de eleitores contrários ao PT. Na reta final, o senador intensificou a busca por apoio fora do eleitorado bolsonarista tradicional, com agendas no Nordeste e em São Paulo.

Pesquisas apontaram disputa apertada no segundo turno. Levantamentos divulgados na véspera da votação indicaram empate técnico entre Flávio e Lula, apesar de vantagem numérica do senador em vários cenários.

Veja a primeira versão da carta

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

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