
A dose de adubo na lavoura deve considerar a fertilidade do solo e as necessidades nutricionais da cultura. Segundo o engenheiro agrônomo Guilherme Ceccherini, a análise de solo é a base para evitar doses inadequadas.
O primeiro passo é interpretar os resultados do laboratório, que apresentam os teores de fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre e micronutrientes. O laudo também informa pH, capacidade de troca de cátions (CTC) e saturação por bases, indicadores das condições químicas da área.
Em seguida, é preciso estabelecer a demanda da cultura. A exigência varia conforme a espécie, a fase de desenvolvimento, a produtividade esperada e o sistema de cultivo. O cálculo considera o que a planta precisa, a disponibilidade no solo e a eficiência da fonte e da aplicação.
Só então se escolhe a fonte. Se a recomendação for de 60 kg de P₂O₅ por hectare, por exemplo, um fertilizante com 46% desse nutriente exigiria cerca de 130 kg de produto por hectare. A quantidade final depende da concentração do produto.
Ceccherini chama atenção para o fósforo, nutriente de baixa mobilidade no solo e importante para o desenvolvimento das raízes e o estabelecimento inicial das plantas. Em algumas condições, pode ficar fortemente retido no solo. Isso não significa, porém, que sua aplicação tenha prioridade em todas as lavouras. A sequência de correção e adubação depende do diagnóstico de cada área.
O excesso também exige cuidado. Além de elevar os custos, doses inadequadas podem provocar desequilíbrios nutricionais, interferir na absorção de outros elementos e aumentar perdas para o ambiente. O objetivo é combinar a dose, a fonte, o local e o momento da aplicação para atender às exigências da cultura sem desperdício.

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