
A dificuldade de prever os custos da próxima safra preocupa produtores rurais mesmo quando há acesso a financiamento. A avaliação é de Isabella Cristina Soares, especialista em crédito estruturado do agronegócio, após visitas a Luís Eduardo Magalhães (BA).
A especialista visitou três operações agrícolas com áreas de aproximadamente 10 mil, 50 mil e 54 mil hectares, dedicadas à soja, ao milho e ao algodão. Em comum, os produtores apontaram a incerteza sobre os preços dos insumos entre o planejamento e a execução da safra.
Segundo a análise, a discussão financeira, antes concentrada na obtenção de recursos e nas taxas de juros, passou a incluir a dificuldade de estimar as despesas. Fertilizantes, defensivos, combustíveis e outros itens representam parcelas importantes do custo de produção e sua oscilação compromete o orçamento.
Nesse cenário, ter crédito aprovado não garante condições para definir o melhor momento de comprar insumos ou vender a colheita. A oscilação dos custos dificulta a projeção das margens e exige considerar também os preços de comercialização da produção.
Para Isabella, as soluções financeiras precisam ir além da liberação de crédito. Contratos de fornecimento, planejamento de compras, proteção de preços e organização do fluxo de caixa são instrumentos que podem reduzir a diferença entre o orçamento previsto e o gasto efetivo.
A avaliação também se estende às empresas fornecedoras, inclusive dos setores de energia e combustíveis. O desafio é considerar como cada negociação afeta o custo total da atividade rural, em que financiamento, logística, clima e venda da produção estão interligados. A previsibilidade passa a pesar nas decisões de financiamento.

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