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Após a repercussão, o ministério voltou atrás. Em nota, a pasta informou que a análise realizada anteriormente não havia aplicado integralmente a metodologia do Guia Prático de Classificação Indicativa, editado em 2025. “A decisão reafirma que a classificação indicativa não tem caráter de censura e consiste em informar às famílias, de forma objetiva, o conteúdo das obras, para que exerçam as decisões próprias do poder familiar”, diz o comunicado.
O despacho registra que a transmissão das narrativas bíblicas às crianças por meio de animação destinada ao público infantojuvenil é uma forma de expressão cultural protegida pela Constituição e que incumbe à classificação indicativa aplicar-lhe o mesmo tratamento que aplica a todas as tradições culturais e religiosas. Ministério da Justiça
A classificação indicativa funciona como uma recomendação. Isso não significa que as crianças menores de 12 anos estejam proibidas de assistir ao programa ou que a emissora seja obrigada a exibir o conteúdo no horário sugerido pelo Ministério da Justiça.
O governo reclassificou outras obras no mesmo período. Uma delas foi a série “Alerta Aeroporto”, também exibida pela Record, e um jogo inspirado em Harry Potter, ambos recomendados para maiores de 14 anos.
Bolsonaristas falam em perseguição
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a mudança e acusou o governo de perseguição. Em post no X, ele comparou a classificação indicativa dos desenhos bíblicos com a transmissão do Carnaval, que foi recomendada para maiores de dez anos. “Vou protocolar um pedido de informações para ter acesso aos pareceres e fundamentos utilizados nas duas classificações. Além disso, protocolarei um projeto para revogar essa Portaria ilegal e perseguidora”, escreveu.
Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, considerou a decisão “preocupante”. “Não aceitaremos que a fé cristã seja submetida a critérios discriminatórios”, escreveu nas redes sociais. A senadora eleita Bia Kicis (PL-DF) também acusou o governo de perseguição religiosa.
Bolsonaristas também espalharam desinformação e afirmaram que o governo censurou os desenhos bíblicos. Jeffrey Chiquini (Novo-PR), eleito deputado federal, publicou nas redes que o ministério proibiu a TV aberta de exibir o programa, o que não é verdade.
A vereadora de São Paulo Amanda Vettorazzo (União) acionou o Ministério Público Federal. Ela alega que houve erro técnico e pede a abertura de inquérito civil contra a Coordenação-Geral de Políticas de Classificação Indicativa, órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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