Na COP30, Nestlé aposta em agricultura regenerativa para avançar em sustentabilidade

A Nestlé participa da COP30, em Belém, que acontecerá até dia 21, com uma agenda voltada à transição para sistemas alimentares regenerativos. Na conferência, a multinacional está presente na blue zone, local em que ocorrem as negociações oficiais; na green zone, espaço aberto à sociedade civil e instituições públicas e privadas; e na agri zone, área dedicada ao setor do agronegócio, liderada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Na blue zone, a companhia participa de um painel sobre agricultura regenerativa e de debates com entidades como o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a Câmara de Comércio Internacional (ICC) e o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD).

Na green zone, apresenta seu papel em soluções baseadas na natureza e na restauração de ecossistemas pelo país. Já na agri zone, a Nestlé apresenta suas principais iniciativas nas cadeias de café, cacau e leite.

“A Nestlé sempre participou das COPs, mas no Brasil há uma razão maior. É um mercado produtor muito importante para nossas três principais cadeias: leite, café e cacau”, disse Marcelo Melchior, presidente da Nestlé Brasil. “A COP pode acelerar muito os nossos planos, especialmente se conseguirmos engajar outras empresas, institutos e governos”, acrescentou.

De acordo com a empresa, um dos projetos vai medir as emissões de vacas em lactação submetidas a diferentes dietas; o outro busca aprimorar sistemas agroflorestais para o cultivo de cacau. A parceria também inclui investimentos em pesquisa genética, sistemas agroflorestais e outras práticas regenerativas.

“Nós acreditamos que podemos fazer com que o cacau volte a ser uma estrela para o Brasil. Mas não podemos fazer isso sozinhos. A Embrapa vem sendo um parceiro fundamental, com muito sucesso e credibilidade”, afirmou Melchior durante a divulgação da parceria.

Há cerca de 30 anos, a multinacional mantém parceria com a Embrapa. Entre os resultados está o Programa de Boas Práticas em Fazendas de Leite, criado em 2006, que se tornou referência para fazendas de todo o país. Em 2021, a parceria passou a incluir o desenvolvimento de leite de baixo carbono.

Marcelo Melchior, presidente da Nestlé Brasil — Foto: Felipe Cardoso - Next Comunicação
Marcelo Melchior, presidente da Nestlé Brasil — Foto: Felipe Cardoso – Next Comunicação

No café, mantém cooperação com a Fundação Procafé, integrante do Consórcio Pesquisa Café, também coordenado pela Embrapa.

Neste ano, a Nestlé vem ampliando seus projetos e reforçando a estratégia de sustentabilidade. Em maio, a companhia anunciou ter superado a meta de adquirir 30% de suas matérias-primas de fornecedores com práticas regenerativas até 2025, atingindo 41%. De acordo com levantamento da empresa, cerca de 70% de suas emissões de carbono têm origem na agricultura.

Em julho, a multinacional anunciou uma parceria com a re.green, empresa brasileira de restauração ecológica, e a Barry Callebaut, processadora de cacau, para restaurar cerca de 8 mil hectares nos estados da Bahia e do Pará, com o plantio de 11 milhões de árvores e a criação de sistemas agroflorestais para cacau e café.

Já em outubro, em conjunto com o Banco do Brasil, lançou uma linha de crédito rural de R$ 100 milhões para apoiar fazendas de leite participantes do programa Nature por Ninho na transição para modelos de baixa emissão de carbono.

“O desafio maior ainda é o convencimento de que vale a pena, não somente do ponto de vista ambiental, mas também econômico. Você investe, mas pode ter muitos benefícios”, afirmou Melchior.

Com presença em mais de 180 países, a Nestlé tem como objetivo reduzir pela metade suas emissões até 2030 e alcançar emissões líquidas zero em 2050. Segundo o executivo, a COP30 representa um espaço de diálogo essencial para acelerar a agenda.

“É um lugar que reúne todas as pessoas de todos os lugares e temas como sustentabilidade, finanças e governos. Um ambiente para acelerar o que queremos construir.”

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